Escrevivência de Ayan Sardas
Boogarins no palco do Sesc Pinheiros no dia 11/01
abriu ala para o ano de 2019
para um publico que lotou o Teatro Paulo Autran.
Quem esteve presente pode ver e sentir uma banda que
radicaliza, arrisca, subverte, dilata, distorce e experimenta
suas próprias composições para assim reinventa-las,
olha-las por outros aspectos a todo instante
quase como uma brincadeira ou como um mantra.
Ao escutar as músicas de Boogarins
tenho a impressão de que elas são alucinógenas,
isso se confirma em seu show.
Com luzes e projeções que dão ênfase a sonoridade,
os artistas da banda vivem uma espécie de delírio no palco
capazes de abrir portais que nos levam para outros lugares,
outras cores, outros cheiros, outros corpos, outras sensações.
Em um tempo de quantidade e velocidade de informações,
sejam estas verdadeiras ou falsas,
sejam estas verdadeiras ou falsas,
em um tempo de pouco diálogo e pouco debate
sobre questões crucias para a sociedade,
tempo em que a performatividade dos nossos egos
soterram nossos afetos
e nos afastam do aqui e agora,
estar presente no show do Boogarins é como um
ato de presentificação, um flerte de realidades e imaginários,
é também como uma aprendizagem, ou um manual de que
para viver nesses nossos tempos
é preciso ter coragem para radicalizar,
subverter,
é preciso ter coragem para radicalizar,
subverter,
arriscar,
distorcer,
dilatar,
e experimentar
para reinventar os modos de como
nos olhamos e como olhamos o mundo
e as suas infinitas possibilidades de existência.
Boogarins nos mostrou que manter-se
na suposta segurança da lucidez
pode ser uma cilada diante do tempo que vivemos
distorcer,
dilatar,
e experimentar
para reinventar os modos de como
nos olhamos e como olhamos o mundo
e as suas infinitas possibilidades de existência.
Boogarins nos mostrou que manter-se
na suposta segurança da lucidez
pode ser uma cilada diante do tempo que vivemos
e desse atual governo do país.
É preciso de doses diárias de alucinações como a banda proporciona
para se libertar do tempo dos homens
para ter alguma esperança, para poder sonhar, criar, fazer, ser,
e reexistir a todo momento, hoje, amanha, 6 mil dias,
muitos meses, muitas horas sem parar
muitos meses, muitas horas sem parar
sem parar
sem parar
sem
parar
sem parar
sem parar sem parar
sem parar
sem parar sem parar
sem parar sem
sem parar sem parar
sem parar
sem parar sem
parar sem parar sem parar
sem...
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| Da esquerda pra direita: Raphel Vaz, Benke Ferraz, Yanaiã Benthroldo e Fernando Almeida. |
*Alusões às faixas "6000 dias" e "Tempo" do álbum Manual.

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